quarta-feira, 7 de maio de 2008

Ato I

Era uma vez uma princesa, que habitava a mais alta torre do castelo, solitária, tendo somente os passarinhos como companhia, em um reino frio e distante...

Eis que, um dia, o dragão malvado - e era um dragão muito malvado, com cores esquisitas e soltando fogo pelas ventas -, que há muito rondava aquelas terras, invade a torre e pertuba o sono da bela princesa solitária. Cheguei do serviço e havia uma lagartixa em casa.

A princesa, que não era boba nem nada, em um ato de muita bravura e após uma perseguição estupefante, consegue se livrar temporariamente daquele monstro que tanto pertubava os seus dias. Joguei metade - metade mesmo - do remédio de barata tarja preta para áreas externas na bicha. Fez até espuma.

É quando, um nobre cavaleiro que ali passava, consegue se livrar definitivamente do monstro, em um ato veloz de coragem.

Transposto aquele sacrilégio, após uma exaustiva batalha de vida ou morte entre o dragão e a mocinha, a mesma, merecidamente, reune suas amas para lhe preparem o seu banho de rosas e leite perfumado. Era necessário que a princesa corajosa se recuperasse de tamanho desagaste emocional. Imersa em seu delírio terapêutico, eis que, para atrapalhar o banho sagrado, as trevas surgem, inesperadamente. Desesperada e extremamente assustada, a princesa corre ao encontro. Não há encontro. Não há nada. Não há luzes, só trevas. A luz da casa caiu de novo, em plena madrugada.

Nada disso foi suficiente para a estapafúrdia noite princesal. Ainda havia mais a se esperar da malévola força que queria se apoderar dos dons sãos da jovem princesa.

As forças do mal tomaram conta de seu ser e, adentrando em seu espírito como um ato de insanidade, possuíram parte da bela face da princesa. Seu rosto se desfigurava e o pânico surgia. Os ventos rugiam alto, os cães do reino latiam tão alto tanto quanto o limite do céu e as pesadas portas do castelo se atracavam às estribeiras. O som era elevado, absoluto, trazia as vozes do medo e da escuridão. Sozinha, a princesa não mais sabia o que fazer. Aquilo era um pesadelo. Tive um início de paralisia facial decorrente do excesso de remédio de lagartixa.

O príncipe surge, galante em seu cavalo branco, imponente e merecedor de sua altivez. Com ato de extrema bravura e honra, resgata a princesa das forças das trevas e a salva, da forma mais verdadeira em que um príncipe pode salvar uma princesa.

Ele a toma em seus braços e a leva para seu reino, despendendo todo o cuidado e atenção para a cura da jovem, que há muito já havia desfalecido. Reune todos os mais sábios curandeiros da região, preocupado em restabelecer o vigor e as faces rosadas daquela que carrega consigo. E, como todo conto de fadas, a bela princesa se recupera e fica grata para todo o sempre e sempre.

Fui parar no hospital, com crise de pânico, mas, graças ao Príncipe, fiquei mesmo muito bem.

Quanto ao fim da história, caros telespectadores, o vento levou...

FIM.

3 comentários:

gustavo bassini disse...

As vezes as pessoas ficam gratas umas as outras por alguma atitude ou cuidado que receberam e não imaginam poder fazer algo a altura do carinho que receberam.

Este texto, tenho certeza, é um prêmio para este principe, muito maior do que qq coisa q ele possa ter feito por sua princesa!

É simplesmente genial, sensacional, de uma sensibilidade de um carinho inimagináveis...confesso que fiquei com inveja do principe...e se fosse ele, me sentiria completamente lisongeado!

Vento que sopra lá, sopra cá!

Anônimo disse...

Olá Sarita!

Lendo seu blog fico lembrando dos momentos que passamos juntas e morro de saudade de vc!

Quando vc vier até BH não deixe de ligar.

Mil bjos. Kenya

Cherrie disse...

Kenytcha,
eu também morro de saudades de você e das nossas bagunças!! Precisamos repetir a dose, urgente! rs
Beijo!